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Tudo começa com um rabisco...

  • 30 de abr.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 22 de ago.

Antes de existir uma ilustração, existe um rabisco.

Uma linha que aparece sem saber muito bem para onde vai. Uma forma que ainda não é personagem. Uma mancha de aguarela que talvez tenha sido um acidente. Uma ideia pequenina desenhada no canto de uma folha.

E é assim que, muitas vezes, começa tudo.

Na Senhorita Rabiscos, acredito que não precisamos de saber exatamente onde queremos chegar para começar a desenhar. Às vezes, basta uma linha.


Um rabisco pode ser o princípio de uma história


Quando somos crianças, desenhamos sem pensar demasiado.

Uma casa pode ter uma porta no telhado. Uma árvore pode ser azul. Uma pessoa pode ter braços gigantes e uma cabeça minúscula. Um sol pode sorrir.

Não perguntamos se está certo.

Simplesmente desenhamos.

Algures pelo caminho, começamos a acreditar que desenhar é só para quem sabe desenhar. Que existe uma maneira certa de fazer as coisas. Que uma linha torta é um erro e que uma folha em branco deve ser preenchida com alguma coisa bonita.

E talvez seja aí que comecemos a perder um bocadinho da magia.

Porque desenhar não tem de começar com perfeição.

Pode começar com curiosidade.



O rabisco não precisa de saber o que vai ser


Gosto particularmente daqueles primeiros esboços em que ainda não sabemos exatamente o que estamos a criar.

Uma personagem pode mudar de expressão.

Uma casa pode ganhar uma janela inesperada.

Uma raposa pode transformar-se numa criatura completamente diferente.

Uma pequena linha pode dar origem a uma ideia que não estava sequer planeada.

É nesse espaço entre “ainda não sei” e “já descobri” que acontece uma parte muito bonita do processo criativo.

O rabisco permite experimentar.

Permite errar.

Permite voltar atrás.


E, sobretudo, permite imaginar.


É daqui que nasce a Senhorita Rabiscos


A Senhorita Rabiscos nasceu precisamente desse lugar: da vontade de criar imagens que pareçam guardar pequenas histórias.

Ilustrações para olhar devagar.

Personagens que parecem ter acabado de sair de um livro.

Pequenos detalhes que talvez só descubramos à segunda ou terceira vez.

E mundos onde ainda existe espaço para o impossível.

Aqui, a aguarela encontra o lápis de cor, as linhas encontram as manchas de tinta e as ideias encontram uma folha de papel.

Nem tudo precisa de ser perfeito.

Aliás, talvez seja precisamente nas pequenas imperfeições que uma ilustração começa a ganhar personalidade.


E o que existe depois do rabisco?

Existe uma história.



Existe uma personagem.

Existe uma memória.

Existe uma emoção.

Existe um mundo inteiro que ainda não conhecíamos.

É por isso que gosto tanto da ideia de que tudo começa com um rabisco.


Porque um rabisco parece pequeno.

Mas pode ser o começo de qualquer coisa.

Uma história que ainda não foi contada.

Um desenho que ainda não nasceu.

Um sonho que ainda não sabemos explicar.

Ou simplesmente aquele momento em que pegamos num lápis e pensamos:


“E se…?”


É desse “e se?” que quero construir a Senhorita Rabiscos.

Um lugar para desenhar, imaginar, contar histórias e, quem sabe, voltar a brincar um bocadinho.

Porque, no fundo, talvez seja disso que precisamos:

de uma folha em branco,

de um lápis na mão,

e da coragem de fazer o primeiro rabisco.


Aqui, tudo começa com um rabisco. 

 
 
 

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