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Porque precisamos de continuar a desenhar depois de crescer?

  • 1 de jun.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 22 de ago.


Eu com sei lá quantos anos ✏️🎨
Eu com sei lá quantos anos ✏️🎨

Sabes aquela sensação de pegar num lápis e começar a desenhar sem pensar muito?

Quando somos pequenos, fazemos isso naturalmente.

Pegamos numa folha, desenhamos uma casa, um sol, uma família inteira, talvez um cão com três pernas… e está tudo ótimo. 😂

Não há preocupação com proporções, perspetiva, anatomia ou com aquela pergunta terrível:

“Mas isto está bem desenhado?”

Está.

Porque fomos nós que desenhámos.

E pronto.

Depois crescemos.




E parece que, de repente, desenhar passou a ser uma coisa que só podemos fazer se soubermos desenhar.


“Eu não tenho jeito para desenhar.”


Quantas vezes já ouviste isto?

Ou talvez até já o tenhas dito.

“Eu não sei desenhar.”

“Sou péssima a desenhar.”

“Não tenho jeito nenhum.”

“Isso é para quem tem talento.”

E eu fico sempre a pensar:

Quando é que desenhar passou a ser um teste de talento?

Porque, quando éramos crianças, ninguém nos entregava um lápis e dizia:

“Muito bem, vamos avaliar a qualidade artística deste desenho.”

Ainda bem.

Nós simplesmente desenhávamos.


E depois começámos a comparar


É aqui que as coisas ficam complicadas.

Começamos a ver desenhos incríveis.

Pessoas que desenham mãos perfeitas, retratos hiper-realistas, personagens lindíssimas…

E olhamos para o nosso desenho e pensamos:

“Bom… acho que vou dedicar-me a outra coisa.” 😂

Mas estamos a comparar o nosso primeiro rabisco com o resultado final de alguém que provavelmente desenha há anos.

É como correr cinco minutos e ficar chateado porque não conseguimos ganhar uma maratona.

Não faz grande sentido, pois não?


O desenho não precisa de ser perfeito


Na verdade, uma das coisas que mais gosto nos desenhos é precisamente aquilo que não é perfeito.

Uma linha ligeiramente torta.

Uma mancha de aguarela que se espalhou mais do que devia.

Uma personagem com uma expressão estranha.

Uma casa que parece estar ligeiramente inclinada.

São essas pequenas coisas que dão personalidade ao desenho.

E, sinceramente?

Se eu quisesse que tudo fosse perfeitamente direito e matematicamente correto, provavelmente não estava a fazer aguarela. 😂


Desenhar também é brincar


Acho que esta é uma das coisas que mais esquecemos.

Desenhar pode simplesmente ser divertido.

Pode ser aquele desenho que fazemos enquanto estamos a ouvir música.

Pode ser uma personagem que inventámos sem motivo nenhum.

Pode ser uma página inteira cheia de pequenas flores.

Pode ser experimentar uma cor nova.

Pode ser pegar numa mancha e decidir:

“Isto parece um monstro.”

E então desenhamos-lhe olhos.

Pronto.

Temos um monstro.

E ninguém precisa de perceber porque é que ele existe.

Nem nós.


Não precisas de voltar a ser criança


E não estou a dizer que temos de voltar a desenhar bonecos de palitos e casas com chaminés.

Embora… porque não? 😂

A questão é outra.

Podemos crescer sem deixar para trás aquela liberdade de experimentar.

Podemos continuar a ter imaginação.

Continuar a inventar personagens.

Continuar a fazer perguntas absurdas.

Continuar a olhar para uma folha em branco e pensar:

“E se…?”

Aliás, talvez seja precisamente aí que começam as melhores ideias.


Por isso, desenha.


Mesmo que aches que não tens jeito.

Mesmo que o desenho fique estranho.

Mesmo que tenhas de apagar.

Ou melhor ainda: não apagues.

Deixa lá o desenho estranho.

Guarda-o.

Porque daqui a uns tempos podes olhar para ele e perceber que aquele desenho que achavas horrível foi, afinal, o princípio de alguma coisa. Uma ideia. Uma personagem. Uma história. Um estilo.

Ou simplesmente mais um rabisco.

E está tudo bem.

Porque talvez não precisemos de desenhar para criar obras-primas.

Talvez precisemos de desenhar simplesmente para não deixarmos de imaginar.

E é isso que quero que aconteça por aqui.

Na Senhorita Rabiscos, há espaço para desenhos bonitos, desenhos estranhos, rabiscos, manchas, ideias disparatadas e personagens que aparecem sem avisar.

Não é preciso saber exatamente o que estamos a fazer.

É só preciso começar.

Pega num lápis. Faz uma linha.

Depois vemos onde ela nos leva.

 
 
 

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